Páginas

quarta-feira, 23 de março de 2011

O Desconhecido - Capítulo 7




 Capítulo 7


Edward
Eu só estava calmo por fora. Precisava que ela estivesse calma e tranqüila, porque eu não estava. Havíamos chegado a um ponto meio que sem volta, não havia mais muito a fazer, talvez pudesse esperar mais um pouco, prepará-la melhor, mas eu não acreditava nisso, eu via em seus olhos que ela queria aquilo tanto quanto eu, mais, até. Tudo estava indo bem, bem demais, mas o esforço maior viria agora.


Deitei-me sobre ela, para sentir seu corpo todo colado no meu, e a abracei. Mergulhei o rosto em seu pescoço, em seu cabelo, e senti a fome familiar chegando novamente, subindo por minha garganta. Ao invés de parar, dei pequenas mordidas em seu pescoço, como se estivesse me preparando para mordê-la, e ela praticamente saiu de si com aquilo. Acalmei os pensamentos. Tinha que estar preparado para o pior, se eu a mordesse de verdade teria que tentar novamente tirar o veneno de seu organismo, ou prepará-la para a transformação. Tudo estava mais ou menos ajustado para qualquer possibilidade.


Mas ao invés de aumentar minha fome, as mordidas, que não chegavam sequer a arranhar sua pele, a acalmaram. Seria o instinto do caçador sendo aplacado? De repente resolvi fazer um último teste, uma idéia me atingiu. Vinda do medo, talvez. Ou talvez fosse apenas mais curiosidade, mais vontade de tê-la completamente. Ela estava suada, corada, um tormento por toda a parte.


- Calma, amor.


E colei os lábios em seu pescoço, inspirando profundamente, sentido a pulsação do sangue em suas artérias, me inebriando com seu cheiro doce, tentador, provando o suor da pele, que lembrava de uma maneira milhares de vezes mais fraca o gosto de seu sangue.


Me deixei levar pela experiência sensorial. Senti mais uma vez a boca cheia de veneno, estava pronto para devorá-la, para bebê-la até o fim, mas a vontade não era mais tão incontrolável como antes. Era como se não fosse a primeira vez, e sim uma redescoberta de algo que ficara muito tempo longe de mim.


Ouvi um suspiro abafado no momento em que todo o seu corpo se contraiu, e depois relaxou. O cheiro dela se tornou ainda mais intenso, beijei-a para fugir da onda doce e fulminante que me alcançou. Me apoiei um pouco nos braços para observá-la com curiosidade, e por um momento fiquei feliz por ela ter insistido tanto em ter essa experiência antes da transformação. Ela estava me dando um presente único, de sentir o corpo dela tão vivo, em uma experiência tão unicamente humana. Fiquei feliz também em ter aceitado. Amanhã, caso algo desse errado, eu poderia voltar a sentir culpa, responsabilidade, irritação comigo mesmo por ser tão inconseqüente, mas naquele momento tudo que existia era o calor que emanava dela, o cheiro intenso, a fome sob controle, e o prazer que dávamos um ao outro.


Deitei-me ao seu lado, enquanto a observava, atento. Os olhos fechados, a respiração entrecortada, o suor formando minúsculas gotas em sua testa, ela estava a cada segundo ainda mais fascinante. A resistência que eu já tinha contra transformá-la em uma de nós aumentou. Tanta coisa seria perdida! Ela não tinha consciência da própria perfeição.


- Bella? - Arrisquei chamá-la depois de um tempo; um sussurro.


Queria ver seus olhos. Ela virou o rosto para mim e os abriu. Geralmente de um marrom suave, seus olhos estavam escuros e fluidos, como ônix líquido; quase não consegui distinguir as pupilas novamente dilatadas das íris escuras. Seu olhar transbordava de amor, satisfação, surpresa e um pouco de timidez, tudo misturado numa composição única. Sorri imensamente, devolvendo todos os sentimentos que ela deixava transparecer... Segurei sua mão.


- Está viva ainda? - Perguntei brincando. Ela espreguiçou os braços como se fosse uma gata.


- Parece que você decidiu me deixar viver mais alguns instantes.


Seus lábios formaram um sorriso satisfeito.


- Ainda quer que eu continue? - Provoquei, chegando próximo a ela e mordendo de leve o lóbulo da orelha. Ela pulou novamente, mas a resposta me surpreendeu.


- Não, preciso de um tempo para me recuperar. Ainda tem champanhe?


Dei uma risada espontânea e estendi o braço para a taça e a bebida que ainda estava fria no balde de gelo. Enchi a taça, e entreguei em sua mão ainda trêmula. Antes que bebesse, procurei seus lábios, tocando sua língua com a minha.


Ela bebeu a taça inteira de uma só vez, continuava com sede. Ofereci água na mesma quantidade, ela aceitou de bom grado. Depois se recostou novamente nos travesseiros, e acariciei sua testa, tirando as mechas de cabelo que estavam grudadas com suor.


Ela me olhou com um olhar indecifrável. Parecia querer poder ler a minha mente desta vez. Retribuí o olhar com a mesma intensidade. Estávamos sem palavras.


- Foi uma idéia que tive na última hora. Achei que, se me acostumasse com o seu cheiro, poderia ser mais fácil. Eu ainda tenho medo, Bella. Não temos garantias.


Ela olhou para o teto por alguns instantes, depois ficou muito vermelha; me olhou de canto de olho e eu sorri, não consegui evitar.


- Edward... Não posso reclamar, apesar de ter ficado... - Ela ficou mais vermelha ainda. - Foi uma das sensações mais absurdamente maravilhosas que eu já senti. Se o resto é ainda melhor... Eu não sei se vou agüentar.


Ela parecia sincera. Mas eu sabia que era tudo uma questão de perspectiva. Era estranho estarmos conversando sobre isso; as palavras não eram suficientes para descrever as coisas, e era um pouco desajeitado. Nós nunca tínhamos conversado sobre esse assunto abertamente. Era normal que ela ficasse insegura. A falta de experiência ajudava. Tentei ser o mais sincero possível, baseado em tudo que sabia.


- Até onde sei, vai ser diferente. Mas não posso dizer como, cada um tem um corpo, uma forma de sentir.


Ela sorriu.


- Eu te amo. - A voz era linda - Obrigada por ter decidido vir para cá comigo.


- Não agradeça ainda. Ainda não acabou. - E minha voz se tornou novamente maliciosa - E por falar nisso, eu não aproveitei tanto quanto você. O que vai fazer para consertar isso?


O sorriso voltou a seus lábios.

- Bem... - ela respondeu, os olhos brilhando - Acho que aprendi uma ou duas coisas nas últimas horas. Vamos ver o que consigo fazer por você.

Nenhum comentário:

Postar um comentário